A pessoa deixa de ser usuária, mas a Dependência Química persiste

No Brasil, há quase 40 milhões de dependentes de drogas de todos os tipos. Essa questão preocupa porque não apenas os dependentes sofrem, mas também os seus familiares e as pessoas do seu convívio.

A busca por ajuda quando o assunto é dependência química, portanto, é fundamental.

É necessário compreender que uma pessoa pode deixar de usar as substâncias, mas não de ser dependente. Isso tem a ver com os efeitos irreversíveis causados por essas substâncias no sistema nervoso do paciente e reconhecer esse ponto é muito importante. A seguir, veja mais sobre o assunto.

Qual é o efeito do consumo de drogas no organismo?

Quando um usuário consome qualquer tipo de droga psicoativa, há uma mudança na forma como acontecem as conexões cerebrais. As substâncias estimulam a a uma intensa liberação de dopamina, que é responsável pela sensação de prazer, euforia e bem-estar.

Porém, o corpo fica dependente desse tipo de substância, que precisa ser liberada em quantidades cada vez mais altas num processo denominado tolerância, que ocorre num mecanismo de nosso cérebro chamado circuito de recompensa cerebral. Como é efêmero, o mecanismo de saciedade quando drogas psicoativas entram no organismo, o usuário sente a necessidade cada vez mais intensa de procurar por essa sensação novamente.

Os pequenos prazeres se tornam bem menos impactantes dentro da rotina do usuário. Ele precisa da liberação de altos níveis de dopamina, o que, nesse sentido, só é obtido pela utilização dessas substâncias.

As atividades que antes costumavam trazer prazer para a pessoa, como conversar com um amigo, ver um filme com a família ou mesmo comer uma comida gostosa, deixam de ser percebidas como agradáveis, pois o cérebro do indivíduo “se acostumou” com um nível de dopamina muito mais intenso do que tais atividades conseguem naturalmente liberar.

Cria-se, por conseguinte, um ciclo de dependência química. Com o tempo, a tolerância passa a ser cada vez maior, passando a exigir doses cada vez mais intensas e frequentes para conseguir a mesma sensação. Isso poderá inclusive levar a casos de síndrome de abstinência devido à falta da substância no organismo, podendo ocorrer sintomas como ansiedade, confusão mental,  sudorese, dor e até convulsões caso não seja feito o tratamento adequado.

Por que a dependência química persiste?

Mesmo com o tratamento, é importante ter em mente que a dependência não tem uma cura definitiva.

Essa questão continua presente na mente do usuário, que precisará de ferramentas para conter a vontade de ir à busca dessa sensação de prazer novamente. Como algumas estruturas cerebrais são modificadas de maneira permanente, a dependência continua a existir, o que exige cuidado constante a respeito desse assunto.

É por causa disso que todo dependente químico precisa evitar determinados lugares e pessoas relacionados ao uso, para reduzir a fissura, muitas vezes diária, e diminuir a chance de sofrer recaídas. Diversos tratamentos cientificamente comprovados podem ajudar o indivíduo nesse processo.

Qual é a melhor forma de lidar com a questão?

Ainda que a dependência não tenha uma cura definitiva, é fundamental buscar auxílio e o tratamento adequado para essa questão. Tudo começa com o reconhecimento do problema e com a busca de uma equipe de psiquiatras especializados no diagnóstico e tratamento.

Um teste de urina costuma ser solicitado para identificar as substâncias que estão presentes no organismo, explica Dr Bruno Machado, da USP. A clínica CINA, dispõe de um laboratório o qual oferece testes toxicológicos e metabólicos, utilizados no manejo de quadros de alcoolismo, uso de substância, bipolaridade, alterações cognitivas e outras condições.

Quanto ao tratamento mais adequado, diversas técnicas podem ser utilizadas. A terapia comportamental é uma possibilidade muito explorada, assim como o uso de medicamentos específicos.

Porém, ainda assim ocorre um alto índice de reincidência, de modo que as recaídas não são casos isolados nesse sentido. Para lidar com isso, novas possibilidades começaram a  surgir e uma delas é a estimulação magnética transcraniana.

Essa é uma técnica não invasiva, indolor e que realiza o estímulo magnético em áreas pré-determinadas do cérebro, que atuam como uma espécie de “freio” para o impulso de utilizar a droga. Os resultados surgem em pouco tempo e a eficácia é bastante considerável.  Embora não leve à cura, é um recurso especialmente importante para diminuir a fissura e as chances de recaída.

Por mais que a dependência química permaneça mesmo após a pessoa deixar de ser usuária, a busca por tratamento é indispensável. Assim, é possível garantir qualidade de vida e mais saúde.

Como a busca por ajuda de alto nível é indispensável é necessário consultar-se com um de nossos especialistas.