Dependência química tem cura?

Em todo o mundo, há quase 30 milhões de dependentes químicos. Esses dados, referentes a 2014, representam o primeiro aumento no número de dependentes em seis anos. Somente no Brasil, isso representou um gasto de condição que não tem cura na saúde pública em 10 anos.

Além de ser uma questão de saúde pública, esse é um quadro que traz sofrimento tanto para o dependente quanto para seus familiares e pessoas próximas. Por isso, é fundamental lidar com a situação da maneira adequada.

Sobre esse tema, uma das dúvidas mais comuns é se a dependência química possui cura. Confira a resposta para essa pergunta e entenda um pouco mais do assunto.

Como surge a dependência química?

A dependência química está diretamente ligada ao funcionamento do cérebro. Tudo acontece na área conhecida como sistema de recompensa. Trata-se de uma região que modula a sensação de prazer e conforto mediante variadas situações.

Algumas drogas psicoativas mexem com esse mecanismo cerebral intensamente, modificando-o. Dessa maneira, o paciente passa a se comportar buscando preferencialmente a essas substâncias, mesmo que seja efêmera a sensação de prazer que elas promovem. Com o tempo, a sensação de prazer é cada vez mais breve, exigindo doses maiores e mais frequentes das drogas.

Sem o consumo, o paciente passa por crises de abstinência, as quais incluem sintomas físicos e psicológicos. Diante de uma sensação de desejo profundo conhecida como “fissura ou craving, aumentam ainda mais o consumo das mesmas.

Ao final, isso afeta completamente todas as áreas da vida, dos relacionamentos pessoais até a carreira e o convívio social. A perda do prazer em outras atividades fortalece, ainda mais, os laços entre o dependente e as substâncias.

Esse quadro tem cura?

Por estar ligada ao funcionamento de estruturas primitivas do cérebro, a dependência química não é uma questão temporária. Na verdade, ela é uma condição que não tem cura e, sim, tratamento.

É preciso que o paciente se mantenha atento e motivado no tratamento ao longo de toda a vida, principalmente diante dos gatilhos que levam ao consumo.

Inclusive, é necessário pensar em tratar condições secundárias. Muitas vezes, a dependência é associada a quadros como depressão ou ansiedade. De fato, alguns estudos demonstram que até metade dos dependentes químicos apresenta bipolaridade, transtorno obsessivo compulsivo ou ansiedade, por exemplo.

Dessa maneira, é preciso considerar que esses elementos também devem ser tratados de modo a estruturar a condição mental de calma e clareza do indivíduo. Assim, há chances muito maiores de que ele consiga atingir e manter a sobriedade.

Como é possível lidar com a situação?

Como a dependência química não tem cura, o tratamento se torna a chance concreta de sair do ”vício”. Poucos são os pacientes que conseguem largar o abuso de substâncias por conta própria, de modo que o apoio especializado e profissional é muito importante.

Sendo assim, é necessário buscar profissionais capazes de empregar as melhores técnicas. Em geral, a psicoterapia motivacional e comportamental é indicada, mas nem sempre é efetiva ao ser usada de maneira isolada.

Recentemente, uma das opções mais interessantes é o tratamento por estimulação magnética transcraniana. O aumento da atividade cerebral em áreas de controle, promovido por um estímulo eletromagnético, oferece uma opção não invasiva e que age para “frear” o impulso de utilizar a substância

Além de ter eficácia comprovada em diversos estudos internacionais, permite muitas vezes que os efeitos sejam sentidos com maior rapidez do que por meios tradicionais, fazendo com que, após a cessação do uso de álcool ou drogas, exista maior aproveitamento da própria psicoterapia e de medicamentos de manutenção.

Embora não tenha cura, a dependência química possui tratamento e o apoio profissional é fundamental para a qualidade de vida. Caso você ou alguém que conheça esteja encarando esse problema, agende uma consulta no CINA Psiquiatria para que a nossa equipe possa te ajudar a tratar o quadro.