Transtornos Mentais – Mitos e Verdades

Mitos e verdades

“É necessário entender que o transtorno mental é uma doença como outra qualquer como diabetes, por exemplo. É necessário buscar tratamento para que os sintomas sejam controlados e, assim, a pessoa possa levar uma vida normal”, explica a psicóloga Ana Cristina Fraia, coordenadora terapêutica da Clínica Maia Prime.

2 – Ter um transtorno mental é sinal de fraqueza.

MITO: ter um transtorno mental nem é sinal de fraqueza, nem de falha de caráter, mas, sim, um conjunto de fatores internos e externos. “Ter um transtorno mental é uma somatória de predisposição genética, alterações clínicas e ambientais ao longo da infância, eventos estressores atuais ou prévios e alterações químicas cerebrais”, explica Marco Antônio Abud Torquato Junior, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP (Ipq/HCFMUSP) e do Hospital Universitário da USP.

3 – Pessoas com transtorno bipolar não conseguem ter uma vida normal.

MITO: atualmente, existem tratamentos – que envolvem medicação e acompanhamento psiquiátrico – que permitem que a pessoa leve a vida normalmente. “Os transtornos do Espectro Bipolar são doenças; porém, quando adequadamente investigadas, diagnosticadas e tratadas, o paciente pode levar vida normal, em todos os sentidos”, afirma Pedro Katz, psiquiatra do Hospital Samaritano de São Paulo.

4 – Depressão é genética.

PARCIALMENTE VERDADE: depressão, assim como a maioria dos quadros psiquiátricos, possui sim um componente genético. Estudos apontam que parentes de primeiro grau de indivíduos com transtorno depressivo apresentam duas a três vezes mais chances de terem um quadro depressivo do que a população geral. “Mas apesar de haver esse componente genético, existem outros fatores que contribuem para o desenvolvimento ou não do quadro de depressão como eventos da primeira infância, estrutura familiar, algumas doenças clínicas e presença de estressores ambientais, entre outros”, ressalta Marco Antônio Abud Torquato Junior, psiquiatra do Ipq/HCFMUSP e do Hospital Universitário da USP

5 – Transtornos como depressão e ansiedade podem impedir uma pessoa de trabalhar.

VERDADE: qualquer transtorno que interfere no humor e no comportamento, como os quadros depressivos, distímicos (mau humor crônico) e diversos tipos de quadros ansiosos, podem interferir de forma intensa no desempenho e resultado do trabalho. “Pacientes com quadros de ansiedade generalizada ou depressivos podem apresentar intensa dificuldade de concentração e raciocínio, ocasionando sérios prejuízos, quando não incapacidade total ou parcial, para o trabalho quando em períodos de descontrole da doença”, afirma Pedro Katz, psiquiatra do Hospital Samaritano de São Paulo. Estudos recentes mostraram que a depressão já é a segunda causa mais comum de invalidez em todo o mundo, ficando atrás apenas das dores nas costa

6 – Se eu tenho que ir a um psiquiatra, meu caso deve ser muito grave.

MITO: “A psiquiatria é a especialidade médica que diagnostica e trata casos de sofrimento emocional intenso e alterações comportamentais – às vezes muito sutis – que prejudicam a vida social, profissional, sentimental e familiar do indivíduo”, aponta Marco Antônio Abud Torquato Junior, psiquiatra do Ipq/HCFMUSP e do Hospital Universitário da USP. Ou seja, o caso não precisa ser grave para se procurar um psiquiatra – aliás, deve-se buscar ajuda profissional justamente para o quadro não se agravar.

7 – Depressão e tristeza são a mesma coisa.

MITO: tristeza e depressão não são a mesma coisa. Tristeza é um sentimento que todos nós sentimos em situações difíceis como a perda de alguém querido. “Já o transtorno depressivo é uma síndrome, ou seja, um conjunto de sintomas que, além do sentimento de tristeza, engloba sintomas cognitivos (alterações de memória e concentração), alterações de funções vitais como sono e apetite, diminuição da capacidade de sentir prazer e da motivação para se envolver em diversas atividades e pode, em alguns casos, levar o indivíduo a apresentar pensamentos relacionados à própria morte”, explica Marco Antônio Abud Torquato Junior, psiquiatra do Ipq/HCFMUSP Leia mais UOL Arte/Shutterstock

8 – Abusar de álcool e drogas pode causar transtornos mentais.

VERDADE: álcool e drogas possuem substâncias que alteram o funcionamento do sistema nervoso central. Dependendo da quantidade, da frequência e também do histórico da pessoa, esse consumo pode se tornar crônico e desencadear a dependência química assim como transtornos mentais como depressão, transtorno bipolar de humor e até esquizofrenia. “Hoje em dia existe um alto índice indicativo da relação do uso da maconha com sintomas psicóticos e esquizofrenia. O alcoolista geralmente tem uma depressão de base ou a depressão é desenvolvida pelo álcool. Usuários de drogas como maconha e cocaína costumam apresentar transtorno bipolar de humor e, muitas vezes, sintomas psicóticos como delírios persecutórios e alucinações visuais e auditivas”, aponta a psicóloga Ana Cristina Fraia, coordenadora terapêutica da Clínica Maia Prime

9 – Os medicamentos psiquiátricos viciam.

MITO: medicamentos psiquiátricos evoluíram muito ao longo dos anos. Atualmente, existem medicamentos muito eficientes, que não viciam e não deixam a pessoa “dopada” – e mais ainda: podem fazer uma grande diferença na qualidade de vida. “A maioria das medicações psiquiátricas, principalmente as mais recentes, causa poucos efeitos colaterais e, normalmente, os tratamentos se dão por períodos determinados com o objetivo sempre de manter o indivíduo bem a longo prazo sem utilizar medicações ou com uso de doses muito baixas”, afirma Marco Antônio Abud Torquato Junior, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP e do Hospital Universitário da USP

10 – Mau humor e ansiedade podem ser sintomas de transtornos mentais.

VERDADE: porém, é preciso atentar que os transtornos mentais são síndromes, ou seja, um conjunto de vários sintomas. “Assim, não basta uma pessoa apresentar momentos de ansiedade, irritação e mau humor para ser diagnosticada com um transtorno mental – que são sentimentos comuns ao longo da vida. Esses sentimentos têm que ser frequentes e, para realizar a avaliação se existe ou não um transtorno mental, vale a pena consultar um especialista”, explica Marco Antônio Abud Torquato Junior, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP.

 

Fonte: Notícias Uol